Quando a ordem dos fatores altera o produto e quando a mudança representa uma atitude ética
Diversos

arvore-200Giuseppe Peano, foi o fundador da moderna lógica matemática. Foi professor de matemática na Universidade de Turim até a sua morte. Tornou-se famoso pelos seus axiomas, conhecidos como axiomas de Peano. Um dos mais populares é o que preceitua: “A ordem dos fatores altera o produto”.

Muito embora a comutatividade matemática afirme que este axioma é verdadeiro, há muitos que dele discordam. Seguindo este grupo, tomei a decisão de intitular este artigo, mostrando que em muitos momentos a ordem dos fatores altera o produto final.

A questão é saber quando esta ordem altera o produto. Quando o resultado deixa de ser verdadeiro ao se manipular a posição dos fatores.

Alinhei alguns tópicos mostrando que, quando estas mudanças acontecem motivadas por emoções descontroladas, elas podem provocar males irreversíveis.

Senão, vejamos:

QUANDO A ORDEM DOS FATORES ALTERA O PRODUTO

A ordem dos fatores altera o produto quando a ética é desprezada e quando os princípios éticos são adulterados, buscando interesses e status pessoais. Em muitos setores da vida secular - e também espiritual - os princípios éticos sumiram. Falar de ética nos dias de hoje é como tentar mudar uma estrela de sua constelação. A ética, palavra de origem grega ethos, representa o caráter, o modo de ser e de agir de uma pessoa. Representa os trilhos por onde os valores morais rodam e transitam em liberdade. O equilíbrio social só acontece quando a ética é praticada em sua essência. Uma pessoa que não segue a ética da sociedade, do grupo em que está inserida é chamada de antiética, assim como o ato praticado. Neste caso, a quebra da ética produz uma profunda mudança no resultado final do produto.

A ordem dos fatores altera o produto quando a falta de criatividade é maquiada pela imitação, pela cópia, sem que haja neste processo esforço algum, trabalho algum. Imitar o que é bom é saudável e bíblico. Mas quando os fatores são alterados, não há razão para continuar fazendo o que antes foi condenado. Isto se chama hipocrisia. Na verdade, é mais fácil imitar do que criar. A criação, a construção de algo novo implica em esforço intelectual, físico, emocional e, acima de tudo, numa busca intensa de Deus, fonte de toda a inspiração.

Mas esse esforço não interessa no momento de se mexer nos fatores. É mais fácil e cômodo copiar e praticar o que antes era condenado. O importante é que a mudança se pareça com o original. Nesse caso a ordem dos fatores altera o produto final.

A ordem dos fatores altera o produto quando a verdade é encoberta para não produzir perdas naqueles que fazem parte do grupo. O medo de perder faz com que a verdade seja camuflada. Não chega a ser uma mentira aberta, mas não traduz a verdade inicial. Muda-se a ordem dos fatores para que o produto possa ter aparência de algo inusitado. Foi assim com o patriarca Abraão, que para não perder a vida, simulou um parentesco diferente com sua esposa. Ele usava uma verdade parcial, mas não foi verdadeiro em sua expressão.

O pior é quando esta verdade é ocultada do povo, da massa, e é distribuída homeopaticamente, para não produzir efeitos negativos. Mais uma vez, a ordem dos fatores altera o produto final.

A ordem dos fatores altera o produto final quando não se tem autoridade para governar, mas se tem vontade de governar. É o que a psicologia chama de simulação. Foi assim com o jovem chamado Absalão. Ele não tinha autoridade para dirigir o povo, mas possuía uma grande vontade de ser líder. Acabou perdendo o pouco que recebera como herança de seu pai. A ordem dos fatores não pode ser alterada sob o risco de se morrer pendurado pelos próprios cabelos. Absalão se jactava de sua beleza física. Os seus cabelos eram o símbolo de sua formosura física. Infelizmente esta tem sido uma prática muito comum no seio da Igreja. Querer ter o que não se tem é sempre uma tentação que domina a mente e o coração de muitos líderes. Quando isso acontece, os fatores são mudados e, conseqüentemente, o resultado final também deixa de ser verdadeiro.

A ordem dos fatores altera o produto final, quando a amicalidade deixa de ser uma virtude essencial no relacionamento pessoal, e passa a ser apenas uma palavra sem contexto e pretexto.

Quando a vaidade pessoal, quando os interesses humanos prevalecem, a amizade deixa de ser uma virtude bíblica. Ser amigo nos dias de hoje é um risco. O salmista Davi conhecia bem esta realidade. Um dia ele explodiu num desabafo dizendo que não eram os seus inimigos que o incomodavam. Eram os seus amigos. Aqueles com quem ele caminhava em procissão para a casa de Deus.

Mas os interesses que governam a vida do homem são mais fortes do que os laços que durante anos serviram como ponto de união, de comunhão.

Em busca de um novo produto, muda-se sem pestanejar os valores que durante anos serviram como alicerce de uma amizade, que no fundo já deveria estar carcomida, corroída pela inveja, pelo ciúme, pela ambição de ser o maior.

Triste mudança. A ordem foi mudada e também as vidas. E assim enche-se o bornel de frustração, de solidão e de dúvidas, pois a ordem dos fatores alterou tremendamente o produto final.

A ordem dos fatores altera o produto final quando os símbolos pretendem sinalizar um novo caminho, uma nova direção. A mudança de uma marca, de um símbolo não atesta a mudança de um propósito, de uma história, de uma vida. Mudam-se símbolos, mas o que prevalece é o que foi escrito com lágrimas e sangue. Símbolos podem ser mudados como se mudam as propagandas nas camisas dos clubes de futebol. Mas o time permanece com a sua história, independentemente da aparência exterior.

Uma Igreja, uma denominação não se faz simplesmente com uma mudança de elementos externos. Não se constrói um trabalho com exterioridades. Um grupo espiritual é formado, ensinado e integrado através de um ensino sério, ético e, acima de tudo, pautado pelo temor a Deus.

Uma simples mudança exterior não qualifica o produto criado. Quando ele é alterado a sua essência desaparece, volatiliza-se. Passa a ser um produto genérico. Pode até possuir os mesmos elementos do produto original, mas neste caso é só na aparência. Os efeitos esperados nunca se concretizam.

QUANDO AS MUDANÇAS REPRESENTAM UMA ATITUDE ÉTICA

Se a ordem dos fatores altera o produto final, é importante saber que as mudanças também exercem uma influência muito grande em nossa personalidade, em nossa estrutura social e espiritual. Elas representam uma atitude ética e moral.

Mudar é necessário. Jesus mudou valores. Mas o fez para o engrandecimento do seu grupo e não de si mesmo. Mudou para revelar que há valores que precisam ser considerados quando se está inserido num grupo sócio-espiritual. Ele deixou de chamar seus discípulos-apóstolos de servos. Passou a tratá-los como amigos.

A mudança torna-se uma atitude ética quando ela traduz uma inspiração recebida de Deus através do Espírito Santo. No entanto, quando ela é feita por razões egoístas, quando é motivada por interesses escusos, quando não é verbalizada abertamente a todos os que fazem parte do grupo inicial, ela se torna uma mudança antiética.

Neste caso a mudança verdadeira não acontece. Ela pode continuar com os mesmos elementos de antes – elementos que foram censurados - mas recebem uma roupagem aparentemente nova na tentativa de revelar uma inspiração que nada mais é do que transpiração carnal.

A mudança se torna uma atitude ética quando é construída levando-se em conta os valores históricos e culturais. Sabemos que toda mudança tem um lado traumático. Mas há momentos em que a mudança se faz necessária. Nesse caso é preciso ponderar com sabedoria os motivos e as práticas que serão adotadas a partir da mudança proposta.

Mudar e continuar praticando as mesmas coisas de antes não é mudar. Quem assim procede está simplesmente demonstrando uma ausência de conhecimento histórico cultural. Está jogando pela janela tudo o que foi construído sob o temor de Deus.

Se uma mudança se faz necessária, deve-se mudar radicalmente. Limpar todo o passado. Esquecer-se das coisas que ficaram para trás e avançar para o novo futuro.

Quando uma mudança é ética ela não é arbitrária. Não exige uma fidelidade pela força. Não impõe regras e normas que foram renegadas no estágio anterior. Não se propõe a ser melhor do que antes.

Jesus nunca forçou nenhum de seus discípulos a continuar caminhando ao seu lado, mesmo com as mudanças que em breve ocorreriam no grupo. Ele deixou que cada um tomasse a decisão que fosse a mais conveniente. Não ficou preocupado nem mesmo com o pequeno grupo que foi formado durante os seus anos de ministério.

Quando a mudança é acompanhada de leis, de regras, ela perde a sua essência. Deixa de ser ética. Compulsoriedade não combina com liberdade. Portanto, quando a ética é deixada de lado prevalecendo a vontade do ditador, a mudança só produz dor e frustração nos que são obrigados a bater continência ao sargento do pelotão. A verdadeira mudança não jugula os novos companheiros.

UMA EXPLICAÇÃO

Escrevi este texto em razão de algumas situações que continuam pululando em alguns ambientes e que não traduzem a verdade.

Como membro do Conselho de Pastores das Igrejas de Nova Vida do Brasil, e em nome desse Conselho, repudiamos toda e qualquer palavra que não tenha sido declarada e publicada pelos bispos responsáveis por esse ministério.

A Igreja de Nova Vida não sofreu nos últimos anos qualquer divisão. Ela permanece firme em seus alicerces, cumprindo com diligência – e, acima de tudo, com transparência e dignidade - a sua missão. O desligamento de alguns membros e líderes não afetou em nenhum momento os seus planos e projetos.

Relembramos que a Igreja de Nova Vida, fundada pelo saudoso pastor Roberto, e que mais tarde pela imposição de mãos do pastor Tito Oscar foi ordenado ao episcopado, continua sendo a mesma Igreja de Nova Vida até os dias de hoje.

Neste meio século de existência ela conquistou muitos frutos e também perdeu muitos galhos. Alguns secaram e não conseguiram se manter unidos à árvore que os sustentava. Outros foram desligados por mudanças naturais que acontecem em todo grupo social. Mas a Nova Vida nunca deixou que estas situações afetassem seus sonhos e planos.

Na verdade, as perdas dos galhos, dos ramos foram consideradas como podas. Se uma árvore não é podada, ela não produz. A Igreja de Nova Vida aprendeu a superar estes momentos de ausências. Mas ela nunca perdeu. Manteve o seu crescimento cumprindo o propósito de pregar e ensinar o Reino de Deus em toda a sua plenitude. Não se desviou pelos caminhos do sensacionalismo. Não se vendeu ao comércio de trocas de bênçãos. Não se deixou dominar pelas novidades que invadiram muitas comunidades evangélicas. Não seguiu orientações de outros líderes e nem adotou qualquer projeto alienígena. Ficou com o que aprendeu.

Assim, desejamos informar a todos os nossos amados pastores, membros e amigos, que a Igreja de Nova Vida continua trabalhando e, através do seu Conselho de Pastores, liderado pelo bispo Miguel Incutto, avança de cabeça erguida com seus olhos pregados naquele que é o Autor e Consumador da nossa fé: Jesus Cristo, o Senhor.

Tendo a transparência como prática e norma de trabalho, a Igreja de Nova Vida deseja continuar vivendo em paz e espera que esta paz se irradie por todos os que a conhecem e a amam. Este é o nosso grande desejo em nome de Jesus.

Que Deus abençoe a todos vocês rica e abundantemente.

Tito Oscar, bispo

Última atualização em Qui, 22 de Setembro de 2011 06:40
 

Comentários  

 
+1 # Ailton Gomes de Souz 19-10-2011 15:32
Parabéns Bispo.

Palavras como estas que precisávamos ouvir, pois são palvras de despertamento para que em hipótese alguma coloquemos nossos interesses pessoais acima dos interesses do Reino. Continuamos uma Igreja indivisível pregando o Evangelho simples como o Senhor Jesus nos ensinou.
Grande abraço.
Ailton, pastor
INVVasconcelos
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0 # Cardia.Luis 16-12-2011 16:53
Glorifico a Deus pela vida de homens como o senhor, pois não animam a fé de em meio a tantos desatinos, há ainda, homemens dispostos a ouvir e obedecer ao Senhor Jesus, enquanto muitos pulpitos se transformam em palco. Que a próxima geração de lideres possa ser tão inspirada como esta. Deus os abençoe em nome de Jesus. Amém.
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