A cruz de Cristo
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A Cruz de Cristo

"Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo" (Gl 6.14).

Quinhentos e cinco anos atrás se dava o descobrimento do Brasil por Pedro Alvares Cabral. Reunidos, portugueses e indígenas, em volta de uma cruz, foi realizada a primeira missa. Os indígenas não entenderam nada do que se tratava. Aquela cruz nada significava para eles. Era "um povo sem lei, sem rei e sem fé",segundo os dizeres portucalenses. Infelizmente, passados quinhentos e cinco anos, a cruz de Cristo continua incompreendida pelo povo brasileiro.

É bem verdade que ela continua sendo o mais expressivo símbolo da fé cristã. Podemos vê-la nas catedrais, pendurada em correntinhas de ouro, no alto dos túmulos e representada nos mais diversos lugares, porém o seu real significado ainda é desconhecido. Até aqueles que têm ouvido a palavra da cruz, carecem de conhecer o seu significado e o seu poder.

"Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós,que somos salvos, poder de Deus" (I Coríntios 1:18).

Ela é o portal para as novas dimensões da vida eterna que temos em Cristo Jesus. A fonte da qual emana a genuína espiritualidade cristã. A cruz do nosso Senhor Jesus Cristo é uma realidade presente e permanente a todos os homens. Ignorá-la em nosso viver diário é perder o sentido da vida.

A cruz de Cristo revela Deus aos homens; ao mesmo tempo, revela a gravidade do pecado. Somente por ela é que Deus pode virar o indivíduo pelo avesso, ou melhor, fazê-lo nascer do alto, nascer do Espírito. "O que é nascido da carne, é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito" (Jo 3.6).

Outrora, a realidade exterior era o mais importante; ao nascer de novo, descobre-se a preciosidade da vida interior e a espiritualidade que irradia da cruz. A mensagem que o mundo precisa ouvir é a da crucificação de Cristo e de nossa co-crucificação. A cruz é o início de Cristo em nós. Os pecadores necessitam saber que foi crucificado com Ele (Cristo) o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos; porquanto quem morreu está justificado do pecado (Rm 6.6, 7).

Se quisermos que os outros ganhem a experiência da cruz, ela primeiramente deve controlar a nossa vida. Muitas vezes queremos experimentar a vida, mas não queremos experimentar a morte. Se olharmos para Jesus, veremos que a morte antecede a vida. A cruz antecede a vida da ressurreição.

O Senhor Jesus teve que ser crucificado antes que pudesse atrair todos a si mesmo e dispensar a vida espiritual a outros. "E eu, quando for levantado na terra atrairei todos a mim mesmo. Isto dizia, significando de que gênero de morte estava para morrer" (Jo 12.32,33). Ele mesmo teve que morrer crucificado, antes que pudesse ter o poder de dar vida eterna a todo aquele que Nele crê. "E do modo por que Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado" (Jo 3.14). O discípulo não está acima do seu Mestre.

Quando o apóstolo Paulo descobriu a cruz como fonte de salvação e vida, não quis saber de outra coisa. Ele próprio definiu o seu evangelho como "A mensagem da cruz" e seu ministério como "A pregação de Cristo crucificado". Quando esteve pregando aos coríntios afirmou: "Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado. E foi em fraqueza, temor e grande tremor que eu estive entre vós. A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder" (I Co 2.2-4).

O apóstolo Paulo serve de espelho para os proclamadores da Palavra de Deus. Podemos enxergar nele três características:

  • Primeiro: A sua mensagem era a cruz de Cristo, Jesus Cristo e este crucificado.
  • Segundo: Paulo encontrava-se em fraqueza, temor e tremor, ele não confiava em si mesmo.
  • Terceiro: A maneira como esteve pregando a sua mensagem,em demonstração do Espírito e de poder.

A cruz tocou Paulo profundamente. Sabia que, enquanto pecadores, todos os homens são carentes da glória de Deus. "Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus" (Rm 3.23). Anteriormente, havia buscado recuperar esta glória agradando a Deus através da observância da Lei. Porém, quando descobriu a Graça de Deus manifestada na cruz, não quis desgrudar-se mais da cruz de Cristo. Dizia em alto e bom tom: "Já estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim" (Gl 2.19b,20a).

Por isso, abandonou o controle de sua vida para, apenas, obedecer ao seu novo Senhor. Antes, a Sua glória estava no seu produzir religioso; agora, na cruz. "Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo" (Gl 6.14).

A cruz fala, da glória de Deus e dos crucificados. É a experiência mais sublime de Deus. O drama da cruz é fascinante. Fascinação maior quando aceitamos a nossa participação. Afinal, havia apenas dois atores principais: Deus e nós mesmos.

A cruz está vazia, Jesus ressuscitou e isso garante a nossa vitória. Celebre isso, pois a vitória de Jesus é a nossa vitória!

Francisco Martins, bispo

Última atualização em Qui, 12 de Novembro de 2009 16:55
 

Comentários  

 
0 #1 Aritana 28-07-2011 21:58
Nossa muito lindo a ministração..
Parabéns que Deus continue lhe usando mais e mais para ministrar a palavra dele!!

:lol:
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