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Foram 25 minutos, um toque de letra e um gol do Brasil. Três motivos que alimentaram a esperança de Grafite de disputar uma Copa do Mundo. O atacante do Wolfsburg, da Alemanha, foi chamado às pressas por Dunga para o último amistoso antes do Mundial, contra a Irlanda, no início deste mês. A boa atuação e as pisadas na bola de Adriano aumentaram as chances do que era quase impossível acontecer.
Mas Grafite prefere seguir com os pés no chão sobre as chances de ir à África do Sul. “Eu sei que é difícil. O Dunga tem um grupo fechado. São quatro vagas para a minha função, mas a disputa é complicada”, diz o atacante, que, contudo, já se considera no lucro: “Eu estava com certeza que não ia. Agora, se abriu uma pequena brecha”.
Há quatro anos no futebol europeu, o ex-são paulino pode até não estar na lista final de Dunga, mas segue à risca a cartilha do técnico. E, para exemplificar seu espírito de grupo — que Dunga tanto preza —, defende até seu concorrente direto por uma vaga na seleção. Para ele, tudo que se diz sobre Adriano ganha repercussão exagerada: “Durante o pouco tempo que convivemos na seleção, ele se mostrou uma pessoa tranqüila, sossegada, um cara de grupo. E a qualidade dele nem se discute”.
Leia abaixo, na íntegra, a entrevista com Grafite sobre a seleção brasileira e suas chances de ir à Copa do Mundo. Para ler o que o jogador disse sobre outros temas, como a vontade de um dia jogar com a camisa do Santos, acesse a parte da entrevista publicada no iG Esporte.
iG: Você foi chamado na última hora para a partida contra a Irlanda. Nunca havia sido convocado pelo Dunga. Acredita que ainda pode ir ao Mundial? Grafite: Antes do jogo eu falei que as chances eram muito pequenas. Eu sei que é difícil. O Dunga tem um grupo fechado. São quatro vagas para a minha função, mas a disputa é complicada. São jogadores de muita qualidade: Robinho, Luis Fabiano, Nilmar e Adriano. Isso sem falar nos que correm por fora, como Vágner Love, Hulk, Pato e o meu caso agora. Mas só por ter sido lembrado, entrado no jogo e ter feito um bom trabalho dá esperança. Se não vier a convocação, vou continuar torcendo para o Brasil ser campeão e saber que eu fiz um bom trabalho. Se não para essa, até para depois do Mundial ser chamado novamente.
iG: O que alimenta essa esperança são os 25 minutos que você jogou contra a Irlanda? Grafite: Lógico. Quando você entra bem, é importante. Eu contribuí. Quando o Dunga me chamou ele disse: "Joga como você atua no seu clube, lá na frente". Ele me deu muita moral e eu entrei tranquilo. Lógico que a esperança existe. Eu estava com certeza que não ia. Agora, se abriu uma pequena brecha. Entrei no jogo e foi bom. Sei que meus concorrentes já têm uma história na seleção, eu entrei e joguei bem 25 minutos. Eles já têm um histórico, gols, partidas. Essa foi a segunda vez que fui, a primeira com o Dunga. Mas vamos ver, né? Dez de maio, vou estar atento, esperando uma ligação.
iG: É verdade que você não atendeu o telefone quando o Jorginho ligou para lhe chamar para o jogo contra a Irlanda? Grafite: Joguei na quinta contra o Villareal e um dia depois estava olhando as notícias na internet quando vi que o Luis Fabiano tinha sido cortado e que o Dunga estava pensando em chamar outro jogador. Ai eu pensei: ele vai chamar um cara aqui da Europa, até porque não vai dar tempo de ser alguém do Brasil. Pensei em quem poderia ser: o Hulk, o Pato, mas na verdade, não perdia as esperanças de ser chamado também. Fui dormir de tarde, mas deixei o celular ligado. Vai que ele toca, né? Na manhã seguinte fui buscar minha filha na escola e deixei o telefone em casa. Quando cheguei, a esposa do Josué [seu colega de equipe] tinha mandado uma mensagem para a minha esposa. Ele também tinha ligado no meu telefone. Retornei e ele disse que o Jorginho estava ligando atrás de mim. Ele estava tentando falar comigo, mas eu não tinha atendido. Na hora em que estávamos falando, o Jorginho me ligou e contou. Eu disse que faria tudo, falava com o clube para conseguir a liberação e acertava a passagem também. Ai foi aquela alegria, uma gritaria aqui em casa.
iG: O Dunga falou alguma coisa com você após a partida contra a Irlanda? Grafite: Não teve nenhuma conversa particular. Ele me deu as boas vindas, junto com o grupo, em uma reunião com todo mundo. O pessoal me recebeu super bem. Parecia que eu já era velho naquela turma. Foi muito tranqüilo, mas conversa só comigo não teve.
iG: Ele chegou a conversar algo com os jogadores sobre a expectativa desses meses antes da Copa? Grafite: Também não teve. Até porque a convocação final é no dia 10. Foi uma expectativa normal para o jogo. Ele falou bastante sobre o adversário. Claro que no grupo, entre os jogadores, o assunto era a Copa do Mundo, mas da comissão técnica não teve nenhum recado sobre isso.
iG: O Dunga deu algum recado para os jogadores sobre o comportamento nessa reta final antes da Copa? Grafite: Falar diretamente não, mas a gente percebe nas palestras qual o comportamento que eles querem. Esse grupo que estava lá em Londres é o mesmo há algum tempo. Todos sabem o comportamento que eles querem. A gente percebe em algumas palavras qual é a conduta que deve ter, ainda mais agora, faltando poucos meses para o Mundial. Copa do Mundo é em quatro em quatro anos, então o jogador tem que dar a vida, se doar. Isso ele falou. E lembrou aos que jogam na Europa, que estarão em fim de temporada, que é a hora de se doar ao máximo, não importa o cansaço.
iG: E essa situação do Adriano? Já se fala que ele pode perder o lugar, podendo abrir no ataque. O que você acha? Grafite: Todo mundo tem problemas. Eu, você e o Adriano também. Agora quando é uma pessoa pública e importante, como ele, as coisas ganham destaque maior. A mídia vai em cima e tudo toma dimensão muito grande. No pouco tempo em que convivemos na seleção, ele se mostrou uma pessoa tranqüila, sossegada, um cara de grupo. E a qualidade dele nem se discute. Agora, sobre comportamento, vai de cada jogador ter a consciência, porque realmente é algo que a comissão técnica cobra bastante.
Fonte: iG
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